ARANHA MARROM

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ARANHA MARROM

 

ARANHA MARROM (Loxosceles)

As aranhas do gênero Loxosceles, popularmente conhecidas em vários países como aranhas marrons ou aranhas violino, são as mais importantes entre as aranhas peçonhentas, devido ao elevado número de acidentes que causam e pelas consequências das picadas. A literatura sobre o assunto descreve mais de 100 espécies do gênero Loxosceles, distribuídas em vários continentes.

A América do Norte aparece em destaque, com cerca de 45 espécies, sendo o maior número delas no México, a América do Sul com 35 espécies, com maior número no Peru, América Central com 14 espécies, África com 17 espécies e Oceania, Europa e Ásia com um número reduzido de espécies.

O Brasil contribui com cerca de 10 espécies, sendo as mais importantes a L. intermédia nas regiões Sul, Sudeste e Goiás, a L. laeta na região Sul e Sudeste, a L. Gaúcho nas regiões Sul e Sudeste, a L. amazônica no Norte e Nordeste, a L.similis nos Estados de SP, MG, MT e PA, a L. adelaide em SP e RJ e a L. hirsuta em SP, PR, RS e MG. A distribuição geográfica do loxoscelismo não deixa dúvidas de que são espécies naturais de climas de altitudes acima de 500 metros, embora algumas espécies de menor importância epidemiológica sejam encontradas em áreas de menores altitudes.

Em condições naturais, as aranhas marrons vivem e se desenvolvem em ambientes frios, secos e com pouca claridade, sempre escondidas em abrigos fixos nas cascas de árvores, folhas secas, embaixo de pedras, fendas de rochas, buracos na terra e outros abrigos naturais que reúnem as condições mencionadas.

Com a ocupação e alteração dos seus ambientes naturais pelo homem, para não serem extintas, estas espécies tiveram que se adaptar, buscando, nas condições sinantrópicas, ambientes compatíveis a sua sobrevivência. Nas áreas rurais e urbanas, estas aranhas encontraram facilmente nas instalações humanas as condições que viviam na natureza e instalaram seus abrigos fixos. Fora das residências se instalaram em sótãos, forros e estruturas de telhados, buracos de tijolos mal rebocados, depósitos de materiais de construção, depósitos de lenhas, porões e decks.

Nas áreas internas das residências, se instalaram em cômodos entulhados, frestas de rodapés e plataformas de armários, frestas de esquadrias de portas e janelas, atrás de móveis, cabeceiras de camas, quadros e portas, em estantes de livros e de brinquedos, em gavetas, cestos, cortinas e peças de artesanatos, em caixas de papelão, dentro de vasos secos e cachepôs, além de outros pontos pouco manejados.

 

Reunidas as condições favoráveis de abrigos, alimentação farta e ausência de predadores, as aranhas marrons desenvolveram altas populações nos ambientes peridomiciliares, principalmente nos forros, sótãos e telhados, onde as práticas de manejo e limpeza não são comuns ou são impraticáveis.

Porém estes ambientes são os mais sujeitos às altas temperatura, principal fator de migração das aranhas de um local para outro. Isto explica porque as aranhas marrons são encontradas com maior frequência no interior das residências nos meses mais quentes. As espécies do gênero Loxoxsceles são de pequeno porte e pernas longas, com coloração variando de marrom claro ao marrom escuro, corpo medindo 0,5 cm por 1 cm e 3 a 4 cm de envergadura com as pernas. As fêmeas têm o corpo maior que os machos, enquanto estes apresentam uma maior envergadura de pernas.

 
 

DIFERENÇAS ENTRE MACHOS E FÊMEAS:

As fêmeas depositam seus ovos em número variável (30 a 120), dentro de casulos de seda, chamados de ootecas, de onde nascem os filhotes que crescem até a fase adulta passando por 6 a 8 ecdises que são as trocas do exoesqueleto de quitina.

A troca resulta em uma aranha maior e uma exúvia (casca de quitina) deixada no local. As exúvias são muito semelhantes às aranhas e por isso muitas vezes assustam as pessoas que pensam se tratar de aranhas vivas.

As espécies do gênero vivem em média de 3 a 4 anos e neste período sua reprodução pode chegar a 250 filhotes. As aranhas marrons são predadoras que se alimentam de pequenos artrópodes, entre eles as próprias aranhas e pequenos insetos como formigas, traças, cupins, mosquitos, besouros, e outras espécies. São aranhas sedentárias durante o dia e ativas à noite, constroem teias rudimentares com aspecto de algodão desfiado, grudadas nas superfícies próximas de seus abrigos, que funcionam como alertas de presença para a captura de presas.

Apesar de serem capazes de sobreviver longos períodos (até um ano) sem água e comida, também saem dos seus abrigos à procura de alimentos.

Em condições urbanas, as aranhas marrons migram de seus abrigos fixos nas seguintes situações:

a) Nas áreas vicinais, migram quando as condições dos ambientes são modificadas pela ação do homem nos processos de urbanização, tais como desmatamentos, terraplenagens, demolições e limpezas de terrenos;

b) Nas áreas peridomiciliares, migram quando são perturbadas por manejos nas áreas externas ou quando sofrem stress de altas temperaturas nos ambientes de cobertura das edificações, nos períodos mais quentes do ano. Estas aranhas não suportam temperaturas superiores a 40 Cº e por isso migram para as áreas internas, em busca de ambientes mais frios para construir seus abrigos fixos.

c) Nas áreas internas dos domicílios, migram quando são perturbadas por ação de produtos repelentes aplicados próximos a seus abrigos; quando são desalojadas pela ação de inseticidas utilizados em serviços precários (dedetizações) e quando precisam se alimentar e saem em busca de suas presas.

Nestas circunstâncias, à procura de abrigos fixos com condições mais favoráveis que as aranhas marrons mais causam acidentes, porque caminham até 30 metros em uma noite e podem se abrigar temporariamente em roupas de cama e banho, vestuários, calçados, brinquedos, dentro de armários, gavetas, caixas de objetos, em pontos com pouca claridade ou atrás de qualquer material, locais estes que facilitam o contato com as pessoas e as ocorrências de acidentes.

 

PICADAS:

As aranhas marrons não são agressivas. Pelo contrário, são tímidas e adotam atitude de fuga quando são encontradas, porém quando são pressionadas sobre a pele se sentem ameaçadas, picam para se defender. As picadas não são dolorosas e por isto, muitas vezes passam despercebidas nas primeiras horas.

Os primeiros sintomas geralmente aparecem depois de 3 a 12 horas, dependendo das reações de cada pessoa e se inicia com ardência, vermelhidão da pele e inchaço no local, com ou sem coceira.

A evolução do quadro clínico vai depender da quantidade de veneno injetada na vítima e variar muito de um caso para outro. As picadas de maior gravidade ocorrem quando o acidente envolve fêmeas adultas que têm maior capacidade de acumular o veneno, enquanto as mais jovens e os machos têm menos veneno, por serem menores.

As mais sedentárias que não realizaram capturas recentes também têm mais veneno acumulado em suas glândulas. Outro fator importante é a eficiência do ataque que depende da penetração das quelíceras na pele da vítima para injetar a toxina. Por último, a gravidade do quadro clínico, vai depender também da resposta individual de cada vítima. As estatísticas do loxoscelismo no Paraná indicam que mais de 85% dos acidentes são de baixa ou moderada gravidade.

Em casos de baixa gravidade, podem ocorrer apenas reações no local da picada sem maiores consequências. No entanto, nos casos de moderada gravidade, podem ocorrer lesões extensas no local da picada, com perda do tecido por necrose e formação de úlceras de difícil cicatrização. Os casos mais graves representam menos de 15% dos acidentes com até 1,5%de letalidade. A partir dos sintomas iniciais, o quadro clínico evolui de duas formas, dependendo da quantidade de veneno injetado nas vítimas e das reações de cada uma:

a) Quadro cutâneo: pode ser de baixa gravidade, apenas com reação inflamatória no local da picada, semelhante a picadas de insetos, sem maiores consequências. Nestes casos a picada resulta em um pequeno círculo bem delimitado com um ponto central mais escuro de evolução benigna, muitas vezes até sem ponto de necrose.

Nos quadros cutâneos de maior gravidade, ocorrem reações inflamatórias características na região da picada, podendo manifestar sintomas de febre, mal-estar, dor no corpo, calafrios, sudorese, cefaleia, náusea, vômito e dor no local da picada, seguido de escurecimento do tecido afetado e formação de bolhas que evoluem para necrose e úlceras de difícil cicatrização.

b) Quadro cutâneo visceral: pode ser grave, com evolução característica do quadro cutâneo no local da picada, com sintomas de febre, mal-estar geral, dor no corpo, calafrios, sudorese, cefaleia, sonolência, náusea, vômito e dor no local, com pouca alteração na cor da urina, ou ser gravíssimo, apresentando manifestações de sintomatologia geral e expressiva alteração na cor da urina, causada pela destruição de hemácias. São casos que, se não tratados, podem levar a vítima à morte por insuficiência renal aguda e falência de órgãos.

 
 

TRATAMENTO:

Quem mora em regiões com prevalência de aranhas marrons, não deve vacilar. Se observar reações suspeitas na pele, procure imediatamente uma Unidade Básica de Saúde para que seja confirmado o diagnóstico, receber atendimento especializado, e se possível, levar a aranha que causou o acidente.

A urgência no atendimento é o fator mais importante no tratamento do loxoscelismo, para evitar que o veneno se espalhe nos tecidos e cause maiores danos à saúde da vítima. Nos acidentes mais graves, as vítimas necessitam ser medicadas com soro específico antes de 36 horas após a picada, porém sua eficácia será tanto maior, quanto mais cedo for administrado.

Os casos menos graves são tratados com medicação via oral sem internação, mas também precisam ser iniciados o mais rápido possível, para produzirem melhores resultados.

Em Curitiba, todas as unidades de saúde dispõem de profissionais habilitados para fazer o diagnóstico e o tratamento de picadas de aranha marrom, inclusive com um protocolo técnico de atendimento. Todos os pacientes passam por uma triagem e são encaminhados de acordo com a gravidade do caso.

A maioria dos casos é de pouca gravidade, o paciente recebe as primeiras doses da medicação via oral na própria unidade e sai levando os medicamentos para dar continuidade ao tratamento em casa. Os casos mais graves que demandam maiores cuidados, são encaminhados para serem tratados e monitorados, e se necessário, os pacientes são internados para receberem os cuidados necessários.

CONTROLE DE ARANHA MARROM

A ATUAL CONTROLE DE PRAGAS, ao longo de 19 anos, com base em pesquisas empíricas que envolveram contagens de aranhas, seleção de produtos, desenvolvimento de metodologias de aplicação e avaliações de resultados, desenvolveu e consolidou um eficiente tratamento para o controle de aranha marrom. Nosso tratamento tem eficiência garantida por um ano, embora seus benefícios vão muito além deste período, com resultados bastante satisfatórios. Quem já conhece o tratamento, confirma os seus resultados e difunde o nosso trabalho, indicando-nos para os amigos que sofrem com o problema.

 

MEDIDAS PREVENTIVAS:

• Bater roupas e calçados antes de usar;

• Não deixar roupas penduradas em paredes;

• Usar aspiradores potentes para realizar a limpeza dos ambientes;

• Manter os ambientes da residência bem limpos, organizados e arejados;

• Evitar cortinas de tecidos grossos e cores escuras;

• Evitar depósitos entulhados que possam servir de abrigos para as aranhas;

• Manter as camas afastadas das paredes e evitar enxovais tocando nos pisos, que são facilmente escalados pelas aranhas;

• Manter cobras de areia ou rodos de vedação nas portas;

• Instalar telas milimetradas bem vedadas nas janelas;

• Evitar deixar caixas de objetos abertas;

• Evitar o acúmulo de caixas de papelão;

• Evitar pilhas de lenhas e materiais de construção, como madeiras, telhas e tijolos próximos das residências;

• Manter os sótãos limpos e desentulhados;

• Vedar as cantoneiras dos forros e pontos de passagens elétricas nos tetos;

• Evitar plantas como moreias e fórmios encostados nas paredes das casas e muros;

• Vedar frestas em muros de pedras ou tijolos;

• Proteger os predadores biológicos, como pássaros, sapos, vespas oleiras ou amassa barro e lagartixas;

• Não usar produtos repelentes como querosene, citronela, naftalina e outros.

O efeito repelente destes produtos desaloja as aranhas de seus abrigos fixos, que passam a deambular pela casa tentando fugir do desconforto a que foram submetidas. Nestas andanças, acabam se alojando temporariamente em pontos que aumentam os riscos de acidentes, como roupas de cama e banho, calçados, gavetas, armários, caixas de objetos, estofados, locais estes que facilitam a ocorrência de acidentes.

As aranhas alojadas em abrigos fixos estabelecem ali o seu território com 1 a 2 metros de raio, mas sempre retornam para os abrigos.

Aí surge a pergunta: Qual aranha oferece mais riscos?

A que anda pouco? Ou a que passa a noite perambulando pela casa inteira?

• Não realizar as famigeradas “dedetizações” comuns, que não matam, mas causam intensa ambulação das aranhas pelos ambientes da residência, oferecendo mais riscos às pessoas;

• Quando for contratar serviços de controle de aranha marrom, selecionar empresas bem profissionalizadas e idôneas que realizam de fato o tratamento específico para a espécie. Lembre-se, o menor custo é incompatível com os melhores serviços. O mais caro é pagar para continuar com o problema.

 

Dorival Rodrigues

Médico Veterinário CRMV/PR: 1175

Responsável Técnico da Atual Controle de Pragas