Terminal de ônibus de SP tem infestação de pombos e instala painéis para ‘hipnotizar’ as aves

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Terminal de ônibus de SP tem infestação de pombos e instala painéis para ‘hipnotizar’ as aves

 
Pombos revoltam os usuários do Terminal Jardim Ângela, na Zona Sul de SP — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Na fila do ponto do ônibus 677-A (Jardim Ângela-Itaim Bibi), os olhares estão sempre para cima. Os olhos buscam a localização dos pombos. A cada voo sobre os passageiros, um buraco se abre na aglomeração dos que aguardam o coletivo. A cena é diária no Terminal Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo, que há anos sofre com a presença das aves.

Os pombos ficam empoleirados na cobertura metálica do terminal. É justamente essa estrutura, que, segundo a Prefeitura, dificulta o combate ao animal. “Em virtude da infraestrutura da cobertura do local, até o momento não se obteve o resultado esperado para conter a presença das aves”, disse a administração municipal.

Na tentativa de conter a proliferação das aves, a SPTrans informou que a empresa gestora do terminal colocou espículas (espetos de metal), rede e faixas hipnotizantes, que são painéis com círculos coloridos em formato de alvo.

Esses painéis têm o objetivo de “hipnotizar” os pombos, causando náuseas e mal-estar, e, assim, afastá-los. A técnica já foi aplicada em uma igreja na Consolação, na região central de São Paulo.

No entanto, no terminal, os pombos parecem não só ignorar os painéis, como alguns estão bem sujos pelas fezes das aves. “Já vi os pombos brincando de balanço nessas faixas”, relata um funcionário do terminal.

Quem está diariamente na fila do ônibus se revolta, como a passageira Francisca Silva: “Eu já fui vítima três vezes. Duas vezes aqui no 677-A e uma vez no terminal Santo Amaro. Então, assim, a gente é sujada pelo cocô do pombo, e tem que se lavar ou ir para o trabalho do jeito que dá, porque a gente não pode perder o dia”.

 

Foto: Paula Paiva Paulo/G1

A técnica em farmácia Letícia Pereira Lessa já foi atingida quatro vezes. Destas, em três teve que voltar para casa. “Fui embora porque foi na cabeça e aí não teve jeito, a gente acaba ficando com nojo, é uma situação horrível e pode pegar doença”, disse Letícia.

Nas fezes dos pombos estão presentes fungos, bactérias e ácaros que podem causar, pelo menos, seis tipos de doenças.

De acordo com o Controle de Zoonoses, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, entre as doenças estão a criptocose, que pode dar meningite; a histoplasmose, que pode dar doenças pulmonares; a salmonelose, que pode dar distúrbios gastrointestinais; além de dermatites e alergias.

Como as medidas no terminal ainda não surtiram efeito, a Prefeitura informou que a empresa que administra o terminal “está em contato com uma empresa especializada na captura de pombos para atuar no local em caráter de testes”.

Enquanto isso, os usuários do terminal adotam métodos alternativos para se proteger da mira das aves.

“Até em dias se sol o pessoal usa sombrinha, usa o capuz da blusa… Técnicas, né, para tentar escapar dos pombos”, contou o analista de TI, Danilo Lira.

Como evitar

Para sobreviver e se reproduzir, os pombos precisam de água, abrigo e alimento. Para evitá-los, o Controle de Zoonoses faz algumas recomendações:

  • Não alimentar os pombos;
  • Recolher sobras de alimentos de animais domésticos, aves de gaiola e criação, restos de merenda escolar e lixo orgânico, para não atrair pombos, ratos e baratas;
  • Colocar barreiras físicas que impeçam o abrigo ou o pouso das aves;
  • Eliminar a fonte de alimento, quando identificada.

Além disso, a Prefeitura ressalta que “é proibido praticar atos de maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, sujeito a pena de detenção”.